Tudo por uma boa nota

É bom ser-se pequenino. Inconsciência. Ingenuidade. Viver para si mesmo e não para os outros. Quase sem quaisquer deveres perante terceiros. Quando era pequeno, a única obrigação que eu sentia que deveria cumprir era a hora da caminha, porque se não o fizesse vinha logo de lá o chinelo! Bons tempos…bons tempos. Lembro-me de como me sabia bem acordar e ter o leitinho no biberão prontinho para descer até à barriguinha. E logo a seguir, vinha o tão típico arrotar de pequenino. O meu primeiro aniversário?! Não me lembro muito bem, digamos que…quase nada. Lembro-me de me babar, o que para mim era normal, e de ver cabeças, muitas e muitas cabeças de sorrisos rasgados …foi um pouquinho assustador.
E o primeiro dia de aulas? Pois é, nunca se esquece o primeiro dia de aulas! Não fazia a menor ideia do que era uma escola e o que se fazia, mas estava excitado na mesma. Fiquei deslumbrado com a cresce. Só diversão! Tirando as partes em que era um cheiro a comida digerida por parte de outros bebés…enfim…e o primeiro dia de adolescente?
Para mim o meu primeiro dia de adolescente foi quando acordei e tinha uma borbulha do tamanho de um berlinde na testa…não foi muito agradável, o contraste daquilo…era o mesmo de ver uma bola de basketball no meio do macio e brilhante estádio vazio. Mas para mim ter acne já é normal. E também já é normal ter uma rotina diária escolar. “Trabalhar como se não houvesse amanhã!” O lema da humanidade. Concordo, é o desenvolvimento a todos os níveis que nos faz progredir, mas, será que essa progressão é a correcta? Outrora pensava-se que os carros não faziam mal ao ambiente.
Cada ano que passa, é mais um passo para adulto e a vida de consciência e deveres. Sinto-me nessa transição. E meio perdido, confesso.


Quinta, 15 de Janeiro

1 comentário:

  1. É um texto muito interessante, mas ainda não estou bem a ver como vais relacionar a poesia de Pessoa, com o elemento e com o quotidiano.
    R
    Correcção: creche

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