Decisões

Estava eu sentado, baloiçando-me na minha cadeirinha de secretária, meditando se deveria abrir um taparowear, ou se desligar o computador. Que fazer? Infinitamente indeciso, tentei resolver o problema, fui dançar!
Estava eu a dançar, contorcendo-me como uma cobra-capelo, quando de repente cai, colado ao chão de fronha enterrada e nariz entortado, pois o chão não era gentil e não abriu uma moça para poder ter o nariz confortável. Levantar-me? Deixar-me estar? Que fazer? Sentei-me!
Estava eu sentado, naquele chão de madeira velho e ranhoso, quando o meu nariz se descolou da cara. Coitadinho, estava todo torto! Fita-cola? UHU? Super cola? Que fazer? Colei com cuspo!
Estava eu agora feliz da vida quando me levantei e fui até á sala. Sentei-me na ombreira e liguei o retrovisor. Avariado?! O retrovisor avariado? Esperem...pois é, as salas não têm retrovisor. Que fazer? Corri ás voltas pelo sofá. Problema resolvido!
Estava eu a correr ás voltas, quando de repente me senti estranho, estava cansado. E agora? Que fazer? Sustei a respiração.
Estava eu agora, entretido a não respirar, de cara rocha, veias do tamanho de alfaces e olhos como ovos a estalar quando de repente me senti aborrecido, e agora? Que fazer? Desmaiei. Problema resolvido!
Sempre me orgulhei da minha capacidade de tomar decisões, era sem dúvida um artista nato para o efeito.
Estava eu a flutuar no escuro, sentia-me leve e encaracolado. E agora? Que fazer? Acordei!
Abri os olhos, e ali estava eu, deitado nas costas de um doutor, enquanto que um cirurgião me abria a barriga. E agora? Que fazer? Atirei o cirurgião para dentro da minha barriga e sai do hospital a deslizar! Sentia-me um pouco pesado e de repente tudo
estava mais claro…tanta claridade! E o meu ombro começou a abanar ligeiramente! Que fazer?! Que fazer?
- São horas de acordares – Disse a minha mãe.


Terça, 20 de Janeiro

3 comentários:

  1. O teu blog está excelente! Fartei-me de rir e abordas temas completamente fora do normal... Entao este texto está genial. ahahah

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  2. Agora temos um hilariante tema onírico. Grande capacidade de narrar e fazer visualizar com sentido de humor.
    Mas continuo à espera de Fernando Pessoa...

    Correcção: às voltas, sustive

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